Eu queria te contar tanta coisa. Te falar sobre a dor que senti ao visitar um lugar querido, que me significou tanto já um dia na vida. De como o sentimento por ele voltou assim que ali botei os pés, como se fosse novamente a tarde de um já distante 2005. Mais belo, porém. Mais maduro, até por me saber além. Até por saber, agora depois de eternizada, a importância daquele tempo.
Queria poder recordar contigo o momento engraçado do nosso encontro, que de inusitado se transformou em feliz, confortante. Queria dar risada com você, velhos conhecidos que somos. Lembrar como nossa querida amiga Fulana é maluca, de como foram importantes aqueles tempos que vivemos separados, mas do qual, eu sei, ambos trazemos tantas coisas boas. Queria ouvir com calma as suas histórias trazidas de longe, narrar as minhas, aprender contigo. Saber os mundos por onde andaste. Queria te contar, olhando seus olhos profundos, da minha vontade de chorar no momento em que senti de novo o chão com as solas dos pés depois de um mês sem andar. Queria confessar as trapalhadas que já fiz inadvertidamente, depois de rir de novo lembrando aquela que você assistiu na noite em que nos conhecemos, no meio de um salão de baile cheio de gente. Queria te falar essas coisas sem medo nenhum de ser feliz ou parecer boba, porque sei que você tem um coração bom e que me ouviria na maior boa fé, dando risada comigo. Queria te contar como eu sou louca por morango com chocolate. Queria saber quais são as comidas esquisitas que você já provou, e de quais gostou mais. Queria saber o que te deixa indignado. Queria saber o que te impressiona tanto, e te traz tanta liberdade, quanto me traz o vento do outono batendo no rosto depois de um dia duro de trabalho.
Queria te dizer tudo isso assim pessoalmente, porque sei que você é muito gente boa e porque sei que a gente se daria tão, tão bem. Mas escrevo apenas um email de dez linhas, te atualizando por alto dos acontecimentos desses dois anos e meio. Torcendo por dentro pra você ler as entrelinhas que não escrevi e aceitar meu convite (este sim explícito) pra tomar um café. E se desvestir um pouco dessa polidez de cavalheiro, que tudo bem, é um charme em você. Mas que venha se juntar a mim num final de tarde, para rir comigo, num tempo que ainda não tivemos - celebrando a leveza e alegria da novidade.
quarta-feira, fevereiro 25, 2009
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