terça-feira, fevereiro 03, 2009

Ano que vem, em Jerusalém

Ide tranquilamente entre o tumulto e a pressa
e lembrai-vos da paz que pode existir no silêncio.
Sem alienação, vivei tanto quanto possível
em bons termos com todas as pessoas.
Dizei calma e claramente vossa verdade,
e ouvi os outros,
mesmo o pobre de espírito e o ignorante;
eles também têm sua história.
Evitai os indivíduos barulhentos e agressivos,
eles são um insulto para o espírito.
Não vos compareis com ninguém:
correríeis o risco de vos tornar vaidosos.
Sempre há alguém maior e menor do que vós.
Desfrutai vossos projetos assim como vossas realizações,
sede sempre interessados em vossa carreira, por mais modesta que seja:
é uma verdadeira posse nas prosperidades mutáveis do tempo.
Sede prudentes em vossos negócios, porque o mundo está cheio de malícias.
Mas não sejais cegos no que concerne à virtude que existe:
vários indivíduos buscam os grandes ideais
e em toda parte a vida é repleta de heroísmo.
Sede vós mesmos.
Sobretudo não simuleis a amizade!
Tampouco sede cínicos no amor,
porque em face de qualquer esterilidade e de qualquer desencanto,
ele é tão eterno quanto a relva.
Aceitai com bondade o conselho dos anos,
renunciando com graça a vossa juventude.
Fortalecei a prudência de espírito
para vos proteger em caso de infortúnio repentino.
Mas não vos aborreçais com quimeras!
Numerosos temores nascem da fadiga e da solidão.
Para lá de uma disciplina sadia, sede ternos convosco mesmos.
Sois filhos do universo, tanto quanto as árvores e as estrelas:
tendes o direito de estar aqui.
E, percebais ou não, o universo se desenrola sem dúvida como deveria.
Estai em paz com Deus, qualquer que seja vossa concepção dele,
e quaisquer que sejam vossas obras e vossos sonhos,
guardai no desconcerto ruidoso da vida a paz em vossa alma.
Com todas as suas perfídias,
as suas tarefas fastidiosas e os seus sonhos desfeitos,
o mundo é belo!
Prestai atenção...
Tratai de ser felizes.

Encontrado numa velha igreja de Baltimore em 1692. Autor desconhecido.
(Em A Viagem de Théo - Catherine Clément)

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