segunda-feira, dezembro 17, 2007

Papai Noel existe?


O Natal está chegando novamente...
Que maravilha! De todas as passagens e comemorações do ano, este parece um período encantado. Um tempo mágico!
Sinto o cheiro de Natal ao se aproximar dezembro. Sim... o Natal tem cheiro, e um cheiro delicioso. Cheiro de doce, de bolacha, de papel de presente, de festa, dos presentes, de confraternização e de esperança pelo nascimento do menino Jesus.

Quando criança, guardo na lembrança que, ao se aproximar dezembro, sempre que via o pôr-do-sol avermelhando as nuvens no céu e no horizonte, meu avô dizia que a cor do céu era o reflexo do forno do Papai Noel assando as bolachas natalinas de receitas alemãs, que ele nos trazia de presente no dia do Natal, para nossa ceia. Era tradição nessa época, após as quatro crianças da casa se deitarem, meus avós e meus pais fazerem as bolachas típicas de Natal. A casa amanhecia com cheiro gostoso de bolacha e nós, crianças, acreditávamos que era o Papai Noel preparando nosso Natal no céu, uma vez que os adultos escondiam as bolachas prontas para não serem vistas. Daí o cheiro gostoso de quitutes de Natal, anunciando que o tempo mágico estava sendo preparado.

A nossa árvore de Natal não era preparada com antecedência, como acontece hoje. Era o Papai Noel que a trazia, juntamente com os presentes, e a iluminava com velas coloridas na noite de Natal.
Em uma certa noite, no início de dezembro, meu avô reunia as quatro crianças ao redor da mesa da sala de jantar, e as cartinhas dos pedidos eram escritas e entregues a ele, que dizia que as encaminharia ao Papai Noel.

Era chegado o dia 24 de dezembro...
A casa impecavelmente limpa e brilhando, a cozinha cheirosa com os preparativos da ceia e dos bolos natalinos. E as bolachas de Natal?... ah, estas viriam com o Papai Noel. Elas tinham sabor de Natal, jeito de Natal e diferentes formatos de estrelinhas, sininhos, botas, meia-luas, arvorezinhas de Natal...
Que delícia... que magia!

Às dezoito horas, meus pais e nós, crianças, nos preparávamos para ir ao culto de Natal na igreja Luterana. Lá víamos a imensa árvore anunciando que o Natal era realidade. Eu sentia no fundo do coração a certeza de que, agora sim, a árvore de Natal da minha casa certamente viria com o Papai Noel. No caminho de volta do culto, víamos pela rua um ou outro Papai Noel fantasiado em um carro ou adentrando uma casa com um saco cheio de presentes.
Ah, que expectativa! Será que ele já havia passado por nossa casa?
O coração chegava a bater acelerado de emoção e curiosidade.

Mais alguns quarteirões e eu já podia ver o muro extenso e o portão da minha casa.
Ao chegarmos em frente a ela, a grande ansiedade era ver se já avistávamos o brilho das velas da árvore de Natal pela janela da sala, que dava vistas para a área da casa e para o jardim. A certeza do Papai Noel ter vindo era vê-la através da janela.
E lá estava ela, brilhando entre as cortinas.
Quanta emoção... ele não tinha nos esquecido!

Antes de entrarmos na casa, ouvíamos o tocar veemente de um sino anunciando que o Papai Noel estava saindo pela janela da sala de jantar, após ter sido servido de bolos e bolachas pelos meus avós e ter deixado nossos presentes e a árvore.
Só então meu avô abria a porta da sala de espera e lá podíamos ver a nossa árvore, inteira, linda, brilhante, com cheiro de vela colorida e nossos presentes embaixo, anunciando o início da nossa noite de Natal em casa. Os presentes seriam abertos após a ceia.
Então corríamos para a sala de jantar.

Nossa... era verdade! Lá estava a xícara de porcelana do Papai Noel, com um restinho de café-com-leite, sua bebida predileta, e muito farelo de bolo e bolacha ao redor. Ele havia se sentado à mesa e se servido. Então todos os quatro queriam se sentar na cadeira em que o Papai Noel havia se sentado. Para não haver decepções, cada ano um de nós era escalado para sentar-se na cadeira que o Papai Noel havia usado. Santa psicologia a do meu avô!
A mesa estava preparada com muitas delícias e dentre elas as famosas bolachas do Papai Noel, com gosto de Natal.

A janela da sala de jantar estava escancarada... por onde o Papai Noel havia saído. E o sininho ficara apoiado no parapeito, para que fosse usado por ele no próximo Natal.
Impossível não acreditar que essa figura mágica não fosse verdade... era tudo tão real... tão encantado!

Ai de quem dissesse que Papai Noel não existia. Nós contestávamos e sentíamos pena dessa pessoa que não vivenciava o Natal como nós. Considerávamos que essa pessoa certamente vivia num mundo triste, frio e sem graça. Como negar as nuvens avermelhadas, as bolachas deliciosas do Papai Noel, a árvore de Natal, os brinquedos, o toque do sino, a xícara usada, os farelos sobre a mesa e a janela escancarada?

Durante a ceia, ouvíamos discos de canções natalinas em alemão, cantávamos e ficávamos na expectativa de abrir os presentes... e sempre constatar que ele nos havia atendido em todos os pedidos feitos nas cartinhas.
Uma vez me surpreendi recebendo um brinquedo que não havia pedido na cartinha, mas, dias após tê-la escrito, comentei que também gostaria de ganhá-lo. E lá estava ele, junto com todos os outros. Como será que o Papai Noel havia adivinhado?
Então meu avô me explicou que o Papai Noel, durante o mês de dezembro, visitava as casas às escondidas para observar se as crianças realmente mereciam o que haviam pedido. Certamente, em uma dessas visitas, ele havia me escutado mencionar o desejo de ter esse brinquedo. Achei o máximo, e isto me incentivou a ser uma criança boazinha para não desapontá-lo.

Há quem diga que é uma época triste, pois nos faz lembrar pessoas queridas que já se foram e não estão mais aqui para comemorar conosco.
Não... não deve ser visto assim. Por trazer de volta a lembrança destas pessoas queridas, como foi meu avô que criou essa magia do Natal em minha vida, minha avó, sempre cúmplice da imaginação de meu avô, e meus pais, que deram continuidade a essa tradição, só posso considerar que o Natal é lindo, colorido, alegre e mágico, que o Papai Noel existe no gesto e no coração de cada um de nós... e que assim deve ser, para que se preserve com todo este encanto de gerações em gerações.

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Este texto foi escrito por uma das fadas mais encantadas que conheço, que até hoje recria a magia do Natal todos os anos, quando eu e meu irmão voltamos para casa. ;)

Um comentário:

Anônimo disse...

Julianam que presente mais lindo de Natal você me deu com esse texto...estou chorando amiga, de tanta alegria e emoção.Obrigada!
Essa História encantada, com todo carinho, zelo, amor, psicologia (!)expressos nos mínimos detalhes refletem toda a beleza da tua alma e da sua família e me deixam a certeza que os pequenos (mas gigantescos) gestos de Amor como esse é que fazem as pessoas serem tão especiais como você é.
Obrigada por estar em minha vida e por trazer toda a riqueza de sua família para nós!
Grande beijo mana.Agora estou mais louca ainda para conhecer esses Anjos e Fadas!
;)