quarta-feira, agosto 01, 2007

Retorno de Saturno

Novo mês começa, com a promessa de decisões. A maioria delas, vinda independente de mim. Mas não menos esperadas. Aguardei cada diazinho de julho para que aquele mês complicado, periclitante, inquieto e ansioso terminasse. Nunca mergulhei com tanta ânsia nos fones de ouvido, fugindo dos meus próprios pensamentos, querendo me perder nas músicas do rádio. Nunca passei tanto tempo contando os segundos, os dias, suspirando internamente enquanto implorava pela corrida das horas. Tenho desejado que o tempo passe rápido. O tempo todo. Não é saudável: sinal de que o dispensável anda suplantando o que vale a pena. A dança das horas, tão finita, já é rebelde suficiente para que roguemos por acelerar o processo.

Apesar de tudo ainda igual ao redor, pressinto as mudanças para breve. E, nessa manhã de sol depois de dias de tanto frio e escuridão, acordo tomada por estranhas decisões. Não quero mais esperar uma vida, ou a existência de uma, para mudar de endereço. Não quero mais esperar um ano para fazer as malas. Não quero mais fazer contas para longuíssimo prazo. Não vou mais represar o que quero dizer, por medo da reação da audiência.

Não quero mais sentar em frente ao computador pensando que estou fazendo o melhor por honra da casa e dos planos há muito acalentados. É preciso reconhecer quando a malha dos dias já não serve, se esgarça, não dá conta da refeição sem tempero. Vou deixar ferverem os planos. Vou compar louças novas para a casa. Vou fugir da falsa independência, da sensação gélida de autosuficiência, do silêncio fingido. Dos sentimentos trancados na gaveta.

Não sei ainda como isso se dará. Mas não perguntarei mais. As perguntas, tão planejadas e elaboradas, não têm me trazido soluções. Começarei pelas respostas. Que o excesso exorbite, rasgue, estoure, crie à força a nova forma da canção que eu quero cantar pra mim.

2 comentários:

Anônimo disse...

Amada:confie no Universo que sabe exatamente o que é melhor para nós e sobretudo confie no tecido forte e cristalino das amizades.
Para oa amigos verdadeiros não existe "zapping" e a audiência é garantida!
beijos de quem te ama muito e ficou muito feliz por ler esse texto!

Anônimo disse...

Avanti, Giuliana!
Fefis