
Cada espaço sagrado
merece uma mão sagrada
e dedos sagrados
e unhas aparadas.
Cada célula do meu corpo
tem um pouco de Deus
e substância
e Cosmos.
Desejo porque desejo,
porque sou feita de carne e osso.
Feita de barro moldável.
Cada esquina da cidade
guarda um cantinho de solidão
e morte.
É noite.
Cada luar guarda um relógio
por onde controlo meus ritmos.
Hoje deve ser lua cheia.
No sonho vestia um vestido de bolas, fino.
A água escorria dos meus cabelos pelas costas,
estrada de vértebras,
cordilheira.
Viver é muito e sempre novo.
Tenho saudade de quem está longe.
Eu estou longe.
Quero um rio comprido que me leve para casa
e também para outros lugares.
(Cristina Mira)


Um comentário:
Hoje procurei por algo me tocasse meu coração..queria publicar no caldeirão...achei aqui no seu cantinho (que também considero um pouco meu)...amei..era tudo o que eu precisava ler hoje!
Bom findi..mil beijos
da mana
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