Não sou canceriana, mas também cultivo minhas velharias de vez em quando. Aquelas bem especiais, que muitas vezes já se perderam na memória dos próprios autores ou pessoas que lhes deram vida. Como esta que reproduzo abaixo, e que reencontrei numa limpeza de emails recente. A autora foi amiga célebre na turma por ter consagrado o bordão "Amigo, não rola", inspirada nos assédios constantes de um amigão que queria namorá-la. De brincadeira bem-humorada, a expressão virou título de um texto que diz tudo.
A amiga anda por aí correndo mundo, em algum lugar do oriente. O amigo apaixonado, trilhando seus próprios caminhos aqui pela Paulicéia mesmo. A turma, já não é mais turma há tempos. Mas, como de tudo fica um pouco (já diria Drummond), reproduzo aqui seu texto, que apesar dos quatro ou cinco anos de idade, permanece bem atual. Bom para ler sempre, no café-da-manhã.
Amigo, não rola.
Amigo, não rola ficar nessa inércia entediante de conformismo com o mundo e com as atitudes das pessoas. Ou com a falta daquelas.
Não rola ficar na expectativa de alguém fazer algo por você, nem de você ser o único a fazer tudo por alguns ou por muitos ou por todos.
Amigo, não rola suportar a falta de respeito de cidadãos comuns, colegas de trabalho e até mesmo de amigos. Muito menos de pessoas cujo conhecimento não chega à capacidade de discernir a ingratidão da neutralidade. Amigo, não rola perder seu tempo com discussões infundadas, nem com pessoas ingratas.
Amigo, não rola conviver com pessoas que nada agregarão à sua vivência. Numa situação ainda pior, conviver com pessoas que têm prazer em não serem felizes e que transferem essa má vontade de viver bem aos que ao lado delas estão.
Não rola esperar contar com os amigos. Os verdadeiros estarão lá antes de você precisar. E quando você encontrar um desses, faça o mesmo. Amigo é a proteção de descamisados como nós.
Não rola ser falsamente agradável a pessoas cuja mediocridade já superou em muito os limites aceitáveis em um ser humano. Amigo, não se conforme. O mundo precisa de mais pessoas indignadas e sérias que, antes de ficarem se lamentando pela decadência geral (“Ah, o mundo não tá nada fácil não” ou ainda “As coisas não poderão ficar piores”), reiteram seu descontentamento por uma sociedade falida em coletividade por meio de ações concretas, atos sérios.
Amigo, não rola “levar nas coxas” um trabalho que deveria ser sério. E muito menos aceitá-lo por estar ok. O que está ok não está bom. A sugestão é que comece tudo de novo e faça bem feito, para poder ao menos ter coragem de assinar o feito mais tarde.
Não rola se juntar à massa homogênea e inútil que cresce impressionantemente a passos largos. Uma maioria pode ser apenas um grande número de medíocres juntos. Seja diferente.
Amigo, não rola esperar os outros para tomar uma iniciativa e realizar as previsões.
Amigo, não rola aceitar as “coisas” tal como elas são. As coisas foram feitas para serem mudadas, recriadas, melhoradas... E seria bom um pouco mais de iniciativa por parte de todos nós. A iniciativa, esta sim, faz a diferença.
Amigo, não rola ser só mais um no mundo.
Faça parte da história dos fatos e não dos números.
(Karen Talita Tanaka)
quarta-feira, junho 20, 2007
Assinar:
Postar comentários (Atom)


Um comentário:
Adorei este texto, Jú! Mto legal mesmo. E aproveitando, AMIGA, você brilhou hoje à noite. Maior orgulho bom!!! Beijos!
Postar um comentário