Nessa onda de mudanças bloguísticas, faço um caminho que pode parecer inverso, mas que, nesse momento pessoal, significa mais um gesto na direção de andar para a frente. Ao longo do ano, irei republicar aqui alguns textos anteriormente retirados, que dizem muito a respeito de momentos significativos, felizes, reflexivos e férteis que vivi. Ao lado dos outros que aqui estão, eles voltam à sua página de origem para ajudar a compor meu mosaico de pensamentos.
Relê-los, nesse momento, me ajuda a promover um reencontro com caminhos que já trilhei, acompanhada de pessoas queridas que continuam fazendo (ainda bem!) parte importante da minha vida. Será também uma chance interessante e divertida de confrontar sentimentos e comentar, aqui mesmo, o que mudou, o que ficou e o que continuará. Afinal, é também com olhos (libertadores) no passado que se vislumbra o futuro. :)
Começamos pois, com um texto publicado originalmente há dois anos por aqui - uma estréia em grande estilo, por sinal. Baci! ;)
Segunda-feira, Janeiro 08, 2007
Por um desvario
Se eu fosse fazer um pedido desvairado, leve e alegre, ia pedir para voar invisível até você, e aterrisar ao seu lado bem na hora em que uma graça te surpreendesse quieto, lendo ou ouvindo uma história, e seu rosto explodisse num sorriso inesperado e maroto. Aquele sorriso que me hipnotizou no primeiro segundo e que, pairando no ar da lembrança, me fez dormir uma noite bem-dormida em meio a tantas e até insuspeitas inquietações. Um sorriso que me persegue até hoje, que vem ao meu auxílio em momento de transtorno como o de agora, quando de repente a realidade bate na cara da gente e provoca falta de apetite, engulhos, enjôos. Nessa hora (e em outras mais felizes também) minha mente teimosa inventa de voar até você, e lembrar de novo do seu rosto se iluminando naquele sorriso maroto.
Queria ouvir de novo sua voz em contexto novo e inesperado, me trazendo a sensação de ter encontrado um tesouro num livro de histórias. Queria de novo andar pelas ruas te ouvindo rir do meu jeito de falar enquanto dirige, me olhando de vez em quando com a doçura e paciência de um velho conhecido. Queria de novo mirar a luz da tarde na parede do quarto, sozinha num dia claro, me sentindo tão estranhamente em casa como um náufrago que pressente velhas memórias invadirem sua mente, sem nome, sem cor, mas doídas de tão ternas, tão loucamente familiares.
Queria andar de novo por aquelas calçadas cheias de borboletas, entrar num bar e ter taquicardia ao ver a surpresa se avizinhando. Mas não estou lá, não estou aí, e isso faz, estranhamente, tudo mais belo. É o instante que passou, que se tornou eterno para que, em tardes cinzas como a de hoje, depois de olhos vermelhos e explosões de inquietação ao meu redor, eu possa me calar e me transportar de novo para esse lugar onde sua imagem se mistura a toda a paisagem como uma onda, como um presságio. Sei que no fundo é meu pensamento que voa, refazendo uma memória louca que não tive - mas que vem ao meu encontro sorrateira e independente de qualquer desejo meu. Como uma teimosia que encontra acolhida, como uma visão antes de acordar.
Por hora, isso é tudo. Por hora, é tudo de que preciso. E a paz, de novo, invade meu coração.
Postado por Madalena às 7:03 PM
2 comentários:
Mônica disse... Se eu fosse uma fada dessas de livro de histórias concederia seu desejo. Ou melhor... inventaria um teletransportador diretamente para o destino querido. Amiga, tô contigo. Se quiser comprar uma casinha em Toscana, embarco nesta aventura com você. Viveríamos de amor, prosa e poesia. Aliás, já assistiu ao filme? Beijo enorme!!! Mô
11:52 PM
Pastel com Chimarrão disse... Amiga..Invoco a força do Sol e a suavidade dos ventos e coloco intenção de REALIZAÇÃO nesse seu texto..que o Universo conspire para a realização de seus sonhos...Você me deu o símbolo dos caminhos e meu desejo é que todos se abram para você e seu amor. Grande beijo
9:50 AM
quinta-feira, janeiro 08, 2009
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2 comentários:
Reafirmo o que eu disse, só que adaptando para essa nova etapa da sua vida...que seus caminhos sempre fiquem abertos, iluminados pelo Sol e adocicados pelo perfume das flores ;)
beijos
Taís
Juju, querida!
Não sei por onde começar. Se te parabenizo (atrasada e com desculpas) pelo aniver que acaba de passar, se te desejo um ano lindo e cheio de novo fôlego, novos e velhos ares e sempre, sempre, bons amigos e um lindo amor, ou se te agradeço pelas visitas e observações tão especiais que vc tem deixado lá no meu cantinho. Pode ser tudo ao mesmo tempo? Então, te parabenizo, te felicito, te agradeço, te envio todo o meu desejo de caminhos iluminados!
Aproveito para ler as suas reflexões e desfrutar um pouquinho dessa sua alma tão sensível, tão cheia de magia e poesia ... Que bom que vc vai revisitar o passado libertariamente! O passado, além de lembranças imprescindíveis, muitas vezes, nos dá os parâmetros que nos ajudam a promover mudanças tão necessárias. E assim, tb. terei a chance de ler o que eu perdi ...
Ah, e obrigada pela cumplicidade tão gostosa! É assim que eu sinto quando alguém, mesmo à distância, acompanha as minhas pequenas e grandes turbulências. Acho que somos mesmo movidas a turbulências, embora reivindiquemos tanto a sombra e a água fresca ... rs. Vai entender esses inquietos mentes e corações femininos ...
Enfim, por enquanto é isso ...
Um lindo ano de sóis e chuvas e poucas tempestades (algumas são necessárias) pra ti!
Com muito carinho e um grande beijo,
Lu
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