Dia inusitado, esse. Duas más notícias logo de manhã, outras tantas bizarras estampadas na internet. In loco, provas e mais provas da inconseqüência, da inconsistência, da inconsciência humanas. E demonstrações gratuitas de que vai ser foda, de que vai demorar, de que vai ser difícil. Mas, amigos, no meio de tudo isso, conclamo todos a reunir nossas flores do asfalto (sempre as há), aquelas que a gente colhe no meio do engarrafamento, da correria, das mensagens no celular. Reunir o ar puro que ainda resta em nossos pulmões e gritar bem alto: vai passar! Um dia após o outro. A gente vai levando essa manha. Porque juntos, com as mãos nos ombros uns dos outros, somos mais nós. E amanhã vai ser outro dia.
Hoje você é quem manda
Falou, tá falado
Não tem discussão, não
A minha gente hoje anda
Falando de lado e olhando pro chão, viu
Você que inventou esse Estado
Inventou de inventar toda escuridão
Você que inventou o pecado,
Esqueceu-se de inventar o perdão.
Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia
Eu pergunto a você
onde vai se esconder da enorme euforia
Como vai proibir
quando o galo insistir em cantar
Água nova brotando
e a gente se amando sem parar
Quando chegar o momento
Esse meu sofrimento
Vou cobrar com juros, juro
Todo esse amor reprimido, esse grito contido
Esse samba no escuro
Você que inventou a tristeza
Ora, tenha a fineza de “desinventar”
Você vai pagar, e é dobrado,
cada lágrima rolada nesse meu penar.
Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia
Ainda pago pra ver o jardim florescer
Qual você não queria
Você vai se amargar
Vendo o dia raiar
Sem lhe pedir licença
E eu vou morrer de rir
E esse dia há de vir
antes do que você pensa!
Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia
Você vai ter que ver a manhã renascer
E esbanjar poesia
Como vai se explicar
vendo o céu clarear, de repente,
impunemente?
Como vai abafar
nosso coro a cantar
na sua frente?
Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia
Você vai se dar mal, etc e tal
La, laiá, lalaiá, lalaiá...
(Chico)
terça-feira, março 11, 2008
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Um comentário:
Mana
Obrigada pelo ombro, pelo café que tira do abismo, pelo escudo, pela espada. E obrigada por esse textim fofo. Tomara que meu "amanhã" chegue logo, tá difícil segurar a barra... :-/
Beijo,
Fê
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