Um dos meus pintores favoritos é Monet. Pois ele fez essa coisa insólita: pintou um monte de feno muitas vezes. E o curioso é que ele nem mudou de lugar, não procurou ângulos diferentes. Ficou assentado no seu banquinho, cavalete no mesmo lugar, e foi pintando, pintando. Porque, na verdade, o que ele estava pintando não era o monte de feno, uma coisa banal, de gosto bovino. O que ele estava pintando era a luz. Ele só usou o monte de feno como espelho onde a luz aparecia refletida, não como uma coisa fixa, mas como uma coisa móvel. A série de telas do monte de feno bem que poderia chamar-se 'strip-tease da luz': devagar, bem devagar, ela vai se desnudando.
(Rubem Alves, "A Escola da Ponte 6")
Fantástico... e concordo com os comentários das minas a respeito: palmas para Rubem Alves, exceto pelo sacrilégio de classificar, em seu comentário, o feno como "coisa banal". O que todos podem ver, por essa revolucionária obra de Monet, é a prova cabal de que o Feno, futuro bastião da filosofia loser, já desde aquela época inspirava novos comportamentos e mudanças de mentalidade. E o pintor, em sua genialidade de artista, nada mais fez do que antecipar uma tendência, registrando o momento literal de sua iluminação. Leu, nas entrelinhas de sua época, o prenúncio de um inovador tempo fenístico.
É issaê Monet! Só o Feno constrói. E tu já era do Feno!


2 comentários:
E como disse Buda: o Feno a tudo abarca...o Feno de tudo compadece...tudo é interdependente (do Feno). Vivamos a mente Fênica e nos livremos do infindável ciclo de nascimento, sofrimento, morte e renascimento.
rsrsrs
E como belos arqueólogos, lá vamos nós atrás das pistas deixadas pelo Feno ao longo da existência....
Até chegarmos ao mais profundo do nosso ser...O Feno Eterno
beijos
Taís
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