terça-feira, novembro 27, 2007

Ovelha negra

Sou ovelha negra dessa bolha em que vivo por vontade própria.
Ovelha negra das pessoas que passam por mim apressadas, em busca do ônibus que pára no ponto.
Estou ovelha negra na cidade, no Natal e no mês que demora a passar.
Sou ovelha negra das idéias da família, da compaixão, da dor da saudade e da pena.
Sou ovelha das notícias do jornal, do desencanto e da esperança teimosa.
Chego em casa no final do dia e vejo um céu limpo lá fora, longe do mundo ovelhal.
Negras são as percepções, escuras como uma noite limpa.
As lembranças, até elas, voltam somente para mostrar meu próprio potencial ovelhístico.
Imperceptível, estou ovelha negra de mim mesma.
Estranha e inserida. Estou em gestação.


Lu Arroyo disse... Ju, tô te devendo uma visita com calma nesse canto lindo. Putz, antes eu lia o blog da Fê todo dia. Agora, sempre passo no da Mô e no seu também, mas ainda não tive tempo de ler as coisas antigas. Realmente, esse é um bom instrumento de integração das amigas das amigas ... rs.Lindo texto! O último verso vai comigo!Beijo grande, Lu

Nenhum comentário: