quinta-feira, março 29, 2007

Trem

Ilustr. Stephanie Pui-Mun Law

O papel branco amedronta. Do branco não vem nada, nenhuma gota de tinta, nenhuma linha reta, nem mesmo uma sujeira de impressão. Como escrever uma história numa folha que não diz nada além de: "Diz você! Escreve sua história! Entra em mim..."

O papel do papel é ser papel, nada além de papel. Está parado, sobre a mesa, esperando ser trem com passageiros, partindo de uma estação qualquer das Minas Gerais.

O trem de papel chegou, arfando. Deu um suspiro longo de cansaço de viagem e soltou suas antigas histórias. Agora está ali, parado na estação VIDA. Olha, ansioso, outros pés a caminhar da plataforma até os vagões. Deixa sentir as mãos que agarram seus corrimões e ganchos, disputando espaços e prioridades. Abre suas portas pra se contaminar de gente e de histórias.
Se nenhum acidente ocorrer na plataforma, nada deterá esta escrita.

"Quem vai chorar, quem vai sorrir ?
Quem vai ficar, quem vai partir ?
Pois o trem está chegando, tá chegando na estação
É o trem das sete horas, é o último do sertão, do sertão"
(Trem da sete, Raul Seixas)

Texto de autoria de uma grande e inspirada amiga, sobre os enredos e desenredos da vida!

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